
Eu quase desisti de dirigir (e não era só sobre o trânsito)
Dirigir na cidade grande era mais do que um desafio de trânsito — era um espelho das minhas próprias inseguranças. Uma reflexão sobre coragem e resiliência.
Santa Conexão
21 de julho de 2026
Eu venho de uma cidade pequena. E, na cidade grande, dirigir ainda me desafia mais do que eu gostaria de admitir.
Alguns dias atrás, eu saí para um compromisso rotineiro, mas o caminho se transformou em um teste para a alma.
O asfalto se estendia, um mar de carros e buzinas, e eu me senti afogando.
Não era apenas a complexidade das vias, os semáforos sincronizados ou a velocidade imposta pelos outros.
Era algo mais profundo, um eco da minha própria insegurança ecoando no barulho da metrópole.
Dirigir, para mim, sempre foi mais do que locomoção. É um ato de controle, de decisão, de confiança.
E naquele dia, cada curva parecia um questionamento, cada ultrapassagem um julgamento.
A cidade grande, com sua vastidão e anonimato, parecia amplificar minhas próprias fragilidades.
Eu me senti minúscula diante da imensidão, incapaz de navegar por aquele labirinto de asfalto e pressa.
Houve um momento em que pensei: 'Chega. Eu não aguento mais isso'.
A vontade de parar o carro, de desistir da jornada, de me render ao pânico era avassaladora.
Mas, então, algo mudou.
Respirei fundo, lembrando-me que o volante não era um inimigo, mas uma ferramenta.
Os outros carros não eram uma ameaça, mas parte do fluxo da vida.
E eu, com meus medos e minhas hesitações, também era parte desse fluxo.
Comecei a observar, a me integrar, em vez de lutar contra a maré.
A cidade não diminuiu, nem o trânsito, mas a minha percepção se expandiu.
Cada quilômetro percorrido se tornou um pequeno triunfo, um lembrete da minha resiliência.
Eu não desisti. Eu dirigi. E, ao chegar, percebi que a maior jornada não foi pelo asfalto, mas por dentro de mim.
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